13/ago

A história de superação de um super pai

em Sonho Mágico

Amanhã é dia dos pais, e hoje escolhemos a história de um super pai para mostrar aqui para vocês. Rafael ( o super papai) deu esta entrevista abaixo para a revista Crescer, achamos um exemplo maravilhoso de vida e estamos compartilhando aqui com vocês. Ele ficou viúvo aos 30 anos quando perdeu sua esposa em um acidente de carro, ela lhe deixou a filha Raissa de apenas 2 aninhos. Com muito amor por sua pequena, Rafael Del Col aos poucos está recomeçando a vida. Conheça a história dele e veja a homenagem que ele fez à esposa.

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Rafael e Raisa (foto: reprodução instagram)

Rafael Del Col mora em Maringá (PR) com a filha Raisa, de 4 anos, e passou por uma experiência que ninguém deseja viver: perdeu sua mulher de forma inesperada. A esposa de Rafael, Tatiana Valques Lorencete del Col, com quem ele estava junto há 10 anos, morreu em um acidente de carro em 2013. Desde então, Rafael viu sua vida virar de cabeça para baixo, mas não perdeu a fé e fez o seu melhor para cuidar da filha. Confira o depoimento dele à CRESCER:

O acidente que mudou tudo

“A Tati era advogada e teve que viajar para Bagé (RS) para uma audiência. Ela pegou o voo na segunda à noite em Maringá, onde moramos, e, ao chegar em Porto Alegre, alugou um carro. No dia seguinte, rumo à audiência, quando faltavam só 40 quilômetros para chegar ao seu destino, um carro em alta velocidade, que vinha em sentido contrário, aquaplanou. O motorista perdeu o controle, rodou e colidiu de frente com o carro em que a Tati estava. Ela morreu na hora, teve tempo apenas de sentir o susto e apagou. E isso me conforta. Os dois passageiros do outro carro também morreram no local. Tati tinha 27 anos e estava grávida de 2 meses e meio de nosso segundo filho.

Logo que o acidente aconteceu, eu estava indo buscar a Raisa para almoçar. Na época, ela tinha 2 anos e 4 meses. A sócia da Tati me ligou e contou o que havia acontecido, que o acidente foi grave, mas que não tinha mais informações. Pouco tempo depois, eu já estava no aeroporto pronto para pegar o avião quando recebi a notícia de que a minha esposa havia morrido.

Mamãe está no céu

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Raisa, Tati e Rafa em uma imagem tirada 20 dias antes do acidente

Quando fui para o Rio Grande do Sul, logo após o acidente, deixei a Raisa sob a responsabilidade de um casal de amigos. Só depois de voltar com o corpo, do velório, do enterro, e de toda a burocracia, é que fui ver minha filha novamente, na quarta-feira à noite. Como tinha muita gente em casa por conta do ocorrido, todo mundo dando atenção redobrada para a Raisa, ela não notou a ausência da mãe em um primeiro momento.

Ela só foi perguntar onde estava a Tati na quinta-feira na hora do almoço. Eu não sabia muito bem o que responder, então disse que a mãe dela estava viajando, sem conter o choro. Mas a Raisa respondeu: “a mamãe não tá viajando, não, ela está lá em casa”. Assim que chegamos em casa, ela começou a brincar olhando pro teto e falando com a mãe: “Olha mamãe o que eu estou fazendo, olha” . E isso não aconteceu só uma vez… Durante 30, 60 dias após o acidente peguei a Raisa conversando diversas vezes com a Tati, na hora de ir para a cama, de tomar banho…Os dias passaram e ela entendeu que a mamãe não voltaria mais.

or isso, com o tempo, tive que ir elaborando melhor com a Raisa a ideia de que Tati não estava mais entre nós. Primeiro eu contei que o papai do céu tinha levado a mamãe, mas ela ficou muito brava, com raiva do papai do céu. Então, peguei dois carrinhos de brinquedo, mostrei como havia acontecido o acidente, falei que a mamãe estava muito machucada, por isso o papai do céu teve que levá-la, para cuidar dela. Hoje, o assunto morte na minha casa é muito tranquilo.Tentei ensinar para a minha filha que a morte é serena.

Uma nova vida

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Rafael com Tati e depois com a filha

Logo que tudo aconteceu, eu sabia que eu ia ficar com a minha filha, mas não sabia como: se eu voltaria para a casa dos meus pais, ou se moraria sozinho com ela. Meus pais me ajudaram muito nesse período difícil, mas uma vez que se sai da casa, é muito difícil de voltar. Então, quatro meses depois da morte da Tati, fomos para um novo apartamento, começamos uma nova vida. Isso foi muito bom, para evitar as lembranças da casa antiga. Eu e a Tati tínhamos comprado esse apartamento novo pouco antes de ela partir. Um mês depois que nós começamos a reforma ela morreu, nem chegou a entrar nele. Mas, por incrível que pareça, deu tempo de ela escolher todos os detalhes: cada azulejo, cada cor, cada lustre.

A partir da mudança, começou uma nova vida para mim: eu preparava o leite da Raisa, tive que aprender o que é uma piranha, o que é uma chuquinha, ler todos os dias a agenda da escola. Eu tentei ao máximo, como eu tento até hoje, fazer tudo o que a minha mulher faria. Meu objetivo maior é fazer minha filha feliz independente de tudo o que aconteceu. Hoje já é uma rotina cuidar dela, faço tudo rápido e com muita facilidade. Arrumo ela direitinho, ponho sapatinho, sei combinar as roupas.

Mas, olhando para trás, se você me perguntar como eu dei conta de tudo, eu não sei responder. Eu tinha que viver meu luto, resolver problemas burocráticos, resolver o apartamento, cuidar da Raisa e lidar com a tristeza de todas as pessoas ao redor. Mas eu nunca dramatizei muito a história. Apesar de tudo que a gente viveu, eu sei que a felicidade vai continuar na nossa vida. Hoje, quem vê a Raisa andando na rua, uma criança feliz, nem imagina que a mãe dela se foi há alguns anos.

Saudade que se transforma em lembrança

Fuçando na internet, eu vi a história de um pai gringo que reproduziu algumas fotos do casamento dele com a filha, depois que sua mulher faleceu. Mal sabia eu que pouco tempo depois ficaria sem a Tati. Algum tempo depois que ela nos deixou, criei o blog para falar sobre a rotina da Raisinha. Me lembrei desse projeto do pai gringo e, exatamente um ano depois que a Tati faleceu, eu fiz a minha versão com a Raisa. Foram dois dias de fotografias – afinal, tudo tem que ser no tempo da criança, ela se cansa, quer brincar – e junto com as fotos, eu quis fazer um making-of para que, mais para frente, ela possa ver como tudo se desenvolveu.

A intenção desse vídeo não é que as pessoas vejam com tristeza. Mas que ele celebre o amor entre mãe e filha. É uma homenagem para que a Raisa saiba o quanto a mãe dela a amou enquanto estava aqui.

Hoje em dia, eu faço o possível para que a Raisa não veja com frequência as fotos, a ideia é que ela veja só lá na frente. Não tem porque ficar lembrando a toda hora… Ela reconhece a música quando escuta, mas é só. Eu quero que, no futuro, minha filha saiba como ela era parecida com a mãe dela.

Um recomeço

Imediatamente depois da morte da Tati, eu notei na Raisa uma carência muito grande. Ela logo queria saber quem ia ser a mamãe dela: se seria a madrinha, se seria a avó. Hoje, ela já chama a minha namorada, a Sissi, de mamãe. Estamos recomeçando uma nova vida, depois de quase dois anos. Estou muito feliz. E de quebra, a Raisa ganhou uma irmãzinha, a Rafa, filha da Sissi.

Com tudo o que aconteceu, eu podia ter entrado em depressão, ter desistido. Mas a vida é pra ser vivida e as adversidades sempre vão estar no nosso caminho. Eu só evolui com tudo isso. Me desenvolvi muito como homem, como pai, me sinto mais forte para enfrentar qualquer situação, com muito mais fé em Deus, e sei que tudo se resolve no tempo dele e não no nosso.”

Fonte: Crescer

http://revistacrescer.globo.com/Dia-dos-Pais/noticia/2015/08/viuvo-aos-30-pai-conta-como-superou-dor-para-cuidar-da-filha.html

 

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